Sintomas da esquizofrenia: como reconhecer, entender e buscar ajuda

A esquizofrenia é um transtorno mental que afeta cerca de 1% da população mundial, segundo dados amplamente divulgados por instituições de saúde e especialistas da área psiquiátrica. Os sintomas da esquizofrenia podem impactar profundamente a forma como a pessoa pensa, sente e se relaciona com o mundo, trazendo desafios importantes para a vida social, profissional e familiar.

Esses sinais costumam aparecer entre o final da adolescência e o início da vida adulta, fase marcada por intensas mudanças emocionais e comportamentais. Por isso, não é raro que os primeiros indícios sejam confundidos com estresse, “fase difícil” ou alterações típicas da idade, o que pode atrasar a busca por ajuda especializada.

Dessa forma, é importante abordarmos de forma direta acessível o que é a esquizofrenia, quais são seus principais sintomas e as opções de tratamento disponíveis. Afinal, nada como o acesso à informação para reduzir o estigma e favorecer o cuidado!

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia é um transtorno mental que interfere diretamente na maneira como a pessoa pensa, sente, percebe o mundo e se comporta. Essa condição pode causar uma desconexão entre o que é real e o que é imaginado, afetando profundamente a rotina, os relacionamentos e a vida profissional.

Diferente do que muitos pensam, a esquizofrenia não é sinônimo de personalidade dupla. Trata-se de uma condição complexa, marcada por alterações no funcionamento do cérebro que impactam emoções, pensamentos e comportamentos. 

Segundo informações do Hospital Albert Einstein, a doença envolve uma desorganização do pensamento, além de alterações importantes na percepção da realidade.

É importante reforçar que a esquizofrenia não define quem a pessoa é. Com tratamento adequado, acompanhamento contínuo e apoio, muitos pacientes conseguem levar uma vida estável e funcional.

Sintomas da esquizofrenia: quais são os principais?

Os sintomas da esquizofrenia podem variar bastante de uma pessoa para outra e também ao longo do tempo. Esses sinais costumam ser divididos nos seguintes grupos, o que facilita o entendimento e o diagnóstico.

Delírios

Os delírios são crenças falsas que a pessoa mantém com convicção, mesmo quando existem provas claras de que não são verdadeiras. Exemplos comuns incluem acreditar que está sendo perseguida, vigiada ou que possui poderes especiais.

Essas ideias não surgem como simples imaginação, ou seja, para quem vive a experiência, elas parecem extremamente reais.

Alucinações

As alucinações estão entre os sintomas mais conhecidos da esquizofrenia e podem envolver diferentes sentidos, embora as mais comuns sejam as auditivas, como ouvir vozes que não existem.

Também podem ocorrer alucinações visuais, táteis ou sensoriais, fazendo a pessoa ver ou sentir coisas que não estão presentes no ambiente.

Pensamento desorganizado

Aqui, o problema está na dificuldade de organizar ideias e expressá-las de forma clara. A fala pode parecer confusa, desconexa ou sem lógica aparente, dificultando a comunicação e o entendimento por parte de outras pessoas.

Comportamento desorganizado ou inadequado

Algumas pessoas podem apresentar comportamentos imprevisíveis, estranhos ou fora de contexto, especialmente em ambientes sociais. Isso inclui atitudes inadequadas, dificuldade em seguir rotinas ou até reações exageradas a situações simples.

Embotamento afetivo

O embotamento afetivo se refere à diminuição da expressão emocional. A pessoa pode demonstrar pouco interesse, bem como pouca reação emocional e dificuldade em expressar sentimentos como alegria ou tristeza.

Esse sintoma costuma ser confundido com frieza ou desinteresse, mas é parte do transtorno.

Isolamento social

Com o avanço da doença, é comum que a pessoa se afaste de amigos, familiares e atividades sociais. Esse isolamento pode surgir tanto por dificuldade de interação quanto por falta de motivação.

Segundo especialistas entrevistados pelo portal Drauzio Varella, muitas vezes esse é um dos primeiros sinais percebidos pela família.

Fase inicial: quando os sintomas começam a aparecer

A esquizofrenia geralmente não surge de forma abrupta. Existe uma fase chamada prodrômica, que antecede os sintomas mais intensos. 

Identificar essa fase inicial e buscar ajuda rapidamente pode melhorar significativamente a evolução do quadro. Nesse período, podem surgir mudanças sutis no comportamento, como:

  • Queda no rendimento escolar ou profissional; 
  • Isolamento progressivo;
  • Alterações no sono;
  • Falta de interesse em atividades antes prazerosas;
  • Mudanças bruscas de humor.

Quais são as causas da esquizofrenia?

A causa exata da esquizofrenia ainda não é totalmente conhecida, mas os especialistas concordam que o transtorno surge a partir da combinação de vários fatores.

Fatores genéticos

Pessoas que têm parentes de primeiro grau com esquizofrenia apresentam maior risco de desenvolver a doença. Um estudo publicado na revista Nature indica que esse risco pode chegar a 10% a 12%, enquanto na população geral é de cerca de 1%.

Alterações no funcionamento do cérebro

Pesquisas apontam alterações neuroquímicas e estruturais no cérebro, especialmente relacionadas à dopamina, um neurotransmissor importante para a comunicação entre os neurônios.

Essas alterações podem afetar a percepção da realidade, o pensamento e o comportamento.

Fatores ambientais e psicossociais

Complicações durante a gestação, infecções virais, desnutrição, estresse intenso, traumas e abuso emocional também podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno, principalmente em pessoas geneticamente vulneráveis.

O uso de substâncias como álcool e drogas, especialmente a maconha, está associado ao agravamento dos sintomas, embora não exista uma relação direta de causa e efeito comprovada.

Como é feito o diagnóstico da esquizofrenia?

O diagnóstico da esquizofrenia é clínico e deve ser realizado por um psiquiatra. Para tanto, o profissional se baseia na avaliação dos sintomas, histórico do paciente e informações fornecidas por familiares.

Afinal, apesar dos avanços da ciência, ainda não existe um exame específico que confirme a esquizofrenia, como um teste de sangue ou imagem isolada.

Tratamento: é possível controlar a esquizofrenia?

Sim. Embora a esquizofrenia não tenha cura, o tratamento adequado permite controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, e pode ser realizado através de:

  • Medicamentos antipsicóticos: são a base do tratamento e ajudam a reduzir delírios, alucinações e episódios de crise. O uso deve ser contínuo e sempre acompanhado por um médico.
  • Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é bastante utilizada e auxilia o paciente a lidar melhor com os sintomas, melhorar a adesão ao tratamento e desenvolver estratégias para o dia a dia.
  • Terapias complementares: terapia ocupacional e grupos de apoio ajudam na reintegração social, no desenvolvimento de habilidades e no fortalecimento da autonomia.

Prognóstico: como é viver com esquizofrenia?

A esquizofrenia acompanha a pessoa ao longo da vida, mas isso não significa ausência de perspectivas. Dados apontam que cerca de dois terços dos pacientes conseguem apresentar melhora moderada ou significativa quando seguem corretamente o tratamento.

Com políticas públicas, ambientes inclusivos e acompanhamento contínuo, muitas pessoas conseguem estudar, trabalhar e manter relações sociais, desde que tenham o suporte adequado.

É possível prevenir a esquizofrenia?

Não existe uma forma garantida de prevenção, mas algumas atitudes podem reduzir riscos e minimizar impactos:

  • Identificação precoce dos sintomas;
  • Busca rápida por ajuda profissional;
  • Evitar o uso de drogas e álcool;
  • Redução do estresse;
  • Manutenção de uma rede de apoio.

Informação é o primeiro passo

Entender os sintomas da esquizofrenia é fundamental para combater o preconceito, incentivar o diagnóstico precoce e dessa forma promover mais qualidade de vida para quem convive com o transtorno.

Portanto se você conhece alguém que apresenta sinais semelhantes aos descritos neste texto, buscar ajuda profissional pode fazer toda a diferença.

Gostou do conteúdo ou ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo e participe da conversa. Sua experiência pode ajudar outras pessoas!


* Confira também aqui no blog o post Mitos e verdades sobre envelhecer: entenda o real impacto do tempo no corpo e na mente.

** Com informações do portal Drauzio Varella e do Hospital Albert Einstein.

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