Os riscos das canetas emagrecedoras têm entrado cada vez mais no centro das discussões sobre saúde, principalmente devido ao uso crescente desses medicamentos fora do ambiente médico. O que começou como um tratamento para doenças crônicas passou a ser associado à estética e ao emagrecimento rápido.
A popularização dessas canetas criou a falsa sensação de que se trata de uma solução simples, segura e acessível para perder peso. No entanto, especialistas e órgãos de saúde alertam que o uso sem critério pode trazer consequências sérias, que vão muito além dos efeitos esperados na balança.
Por isso, é importante entender como funcionam as canetas emagrecedoras, quais são os principais riscos do uso sem acompanhamento médico e as mudanças recentes nas regras de venda no Brasil. A seguir, abordamos esses e outros pontos para ajudar você a tirar suas dúvidas e tomar decisões mais seguras em relação à sua saúde!
O que são as canetas emagrecedoras?
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Entre as marcas mais conhecidas estão Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Esses remédios atuam imitando um hormônio natural do organismo, o GLP-1, liberado após a alimentação, e que ajuda a controlar o apetite, prolongando a sensação de saciedade e reduzindo a ingestão de alimentos. No caso do Mounjaro, há também ação sobre outro hormônio, o GIP, o que potencializa o efeito no controle do peso.
Apesar de eficazes quando a indicação é correta, essas canetas não se destinam a uso estético nem a pessoas que desejam apenas perder poucos quilos.
Por que as canetas emagrecedoras ficaram tão populares?
A popularidade das canetas emagrecedoras não aconteceu por acaso. Além dos resultados rápidos, esses medicamentos passaram a ser amplamente divulgados por influenciadores, celebridades e usuários comuns nas redes sociais, criando uma narrativa de transformação fácil e quase imediata.
Esse fenômeno também se reflete nos números do mercado. Em 2025, os medicamentos agonistas do GLP-1 movimentaram cerca de R$ 10 bilhões no Brasil, o que representa aproximadamente 4% de todo o mercado de varejo farmacêutico do país.
Trata-se de um crescimento expressivo que mostra como esses produtos deixaram de ser nichados e passaram a ocupar um espaço relevante no consumo.
Com tanta visibilidade, muitas pessoas passaram a buscar as canetas sem avaliação médica, apenas com base em relatos pessoais, fotos de “antes e depois” e promessas de emagrecimento rápido.
Uso sem orientação médica: onde mora o perigo
Um dos maiores problemas das canetas emagrecedoras está no uso sem prescrição ou acompanhamento profissional. Isso porque esses medicamentos interferem diretamente no funcionamento do organismo e exigem avaliação clínica cuidadosa antes da indicação de uso.
Mesmo pessoas com peso considerado normal ou com leve sobrepeso passaram a usar as canetas apenas por estética. Em muitos casos, o medicamento é utilizado de forma intermitente, sendo interrompido e retomado conforme eventos sociais, férias ou objetivos pontuais, o que aumenta ainda mais os riscos.
Especialistas reforçam que esses remédios não são cosméticos e seu uso não deve ser um atalho para o emagrecimento.
O perigo das versões falsas e manipuladas
Outro fator de risco importante envolve a venda ilegal de canetas falsificadas ou manipuladas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já alertou que a comercialização desses produtos é crime e representa uma ameaça grave à saúde.
Medicamentos de origem desconhecida podem conter dosagens erradas, substâncias contaminantes ou sequer possuir o princípio ativo informado. Tudo isso pode causar reações inesperadas, falhas no tratamento e complicações sérias.
Veja os principais sinais que ajudam a identificar possíveis irregularidades:
- Embalagens mal acabadas;
- Rótulos em outro idioma;
- Ausência de informações sobre lote e validade;
- Preços muito abaixo do valor praticado no mercado.

Efeitos colaterais mais comuns e riscos graves
Os efeitos colaterais mais frequentes das canetas emagrecedoras incluem náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal. Esses sintomas costumam aparecer principalmente no início do uso ou durante o aumento da dose.
No entanto, há efeitos mais raros e graves, como a gastroparesia, condição em que o estômago passa a esvaziar lentamente ou para de funcionar corretamente. Também já houve relatos de problemas oculares raros e alterações importantes nos níveis de glicose.
Casos recentes de complicações fatais reforçam os alertas sobre os riscos da automedicação, especialmente quando não há acompanhamento profissional.
Perda de massa muscular e efeito sanfona
Outro risco pouco discutido é a perda de massa muscular, especialmente em pessoas que não têm obesidade. O emagrecimento rápido pode levar à redução de músculo, não apenas de gordura, piorando a composição corporal.
Além disso, quando há interrupção do uso, o organismo tende a recuperar peso. Esse ciclo de perder e ganhar peso, conhecido como efeito sanfona, aumenta o risco de ganho de gordura a longo prazo.
Impactos emocionais e dependência psicológica
O uso das canetas emagrecedoras também pode gerar impactos psicológicos. Muitas pessoas acreditam que emagrecer resolverá problemas de autoestima e felicidade, criando expectativas irreais.
Já nos casos em que o peso retorna após a interrupção do medicamento, sentimentos de frustração e culpa são comuns. Há ainda relatos de dependência emocional, em que o indivíduo passa a acreditar que só consegue controlar o peso com o uso da caneta.
Regras mais rígidas para a venda no Brasil
Diante do aumento do uso indevido, a Anvisa determinou que, desde junho de 2025, as canetas emagrecedoras só podem ser vendidas com retenção da receita médica, válida por 90 dias. A medida busca reduzir a automedicação, coibir o mercado ilegal e aumentar a segurança dos pacientes.
A agência também proibiu a fabricação, a venda, a importação, a divulgação e o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 que não possuem registro no Brasil. Esses produtos, que não passaram por avaliação de qualidade, eficácia e segurança, vinham sendo comercializados de forma irregular, principalmente pela internet.
A Anvisa esclarece que medicamentos sem registro só podem ser importados de maneira excepcional, para uso exclusivamente pessoal e com prescrição médica — e, nos casos em que há proibição específica, nem mesmo essa importação é permitida.
Quando o uso tem real indicação?
As canetas emagrecedoras podem ser importantes aliadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, desde que usadas com indicação correta e acompanhamento médico contínuo.
A avaliação leva em conta não apenas o IMC, mas também outros fatores clínicos, como doenças associadas, histórico de saúde e composição corporal.

Informação e cuidado antes de decidir
Os riscos das canetas emagrecedoras deixam claro que não existe fórmula rápida quando o assunto é saúde. Embora esses medicamentos possam ajudar em casos específicos, o uso sem critério pode trazer danos sérios e até irreversíveis. Nenhuma caneta substitui acompanhamento médico, alimentação equilibrada e cuidados contínuos com o corpo.
Antes de pensar em usar esse tipo de medicamento, é fundamental procurar um profissional de saúde, evitar atalhos perigosos e desconfiar de promessas fáceis feitas nas redes sociais. Afinal cada organismo reage de um jeito, e uma decisão tomada sem informação pode custar muito mais do que alguns quilos a menos.
E você, o que acha do uso das canetas emagrecedoras? Já conheceu alguém que usou sem orientação médica ou tem dúvidas sobre o tema? Conta pra gente nos comentários!
* Com informações de Agência Brasil e BBC News.
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