A doação de órgãos ainda desperta muitas dúvidas entre os brasileiros. Afinal, quem pode doar? É preciso registrar a decisão? A família pode escolher quem receberá o órgão? E o que acontece com o corpo depois da retirada?
Essas perguntas são comuns e, muitas vezes, acabam dando espaço para informações incorretas. Por isso, entender como funciona a doação é importante para tomar uma decisão consciente e também para conversar com a família sobre o assunto.
Neste conteúdo, vamos esclarecer os principais mitos e verdades sobre doação de órgãos, explicar quem pode ser doador, como funciona a autorização da família, quem recebe os órgãos e o que acontece depois da autorização da doação.
Siga a leitura conosco e saiba mais sobre como esse gesto pode transformar a vida de quem espera por um transplante!
Doação de órgãos: por que ainda existem tantas dúvidas?
A doação de órgãos pode salvar vidas ou contribuir para que uma pessoa tenha mais qualidade de vida após um transplante. Um único doador pode beneficiar diferentes pacientes, dependendo dos órgãos e tecidos que possam ser aproveitados.
Mesmo assim, muitas pessoas ainda não sabem exatamente como esse processo funciona. Algumas acreditam que existe uma idade máxima para doar, outras pensam que o corpo fica deformado após a retirada dos órgãos ou que a família pode escolher quem será o receptor.
É justamente por causa dessas dúvidas que falar sobre esse tema é tão importante. Afinal, a informação ajuda a reduzir o medo e permite que cada pessoa tome sua decisão de maneira mais consciente.
Quais órgãos e tecidos podem ser doados?
Uma das principais dúvidas em relação à doação diz respeito à quantidade de órgãos e tecidos que pode ser aproveitada para transplantes. A possibilidade depende das condições de saúde do doador e da avaliação feita pelas equipes responsáveis.
Entre os principais órgãos e tecidos que podem ser doados estão:
- Órgãos: rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino.
- Tecidos: córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.
- Na doação em vida: um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea, sempre seguindo os critérios médicos e legais.
Principais mitos e verdades sobre doação de órgãos
Mito ou verdade: é preciso registrar em cartório que quero ser doador?
Mito.
No Brasil, o mais importante é comunicar à família o desejo de ser um doador de órgãos. Não é necessário deixar essa vontade registrada em cartório ou em algum documento específico para que a família conheça sua decisão.
Isso acontece porque a autorização familiar é fundamental para a realização da doação após a morte.
Por isso, mais do que simplesmente considerar-se um doador, é importante conversar abertamente com pais, filhos, irmãos, cônjuge ou outras pessoas próximas. Uma conversa simples pode evitar que a família tenha dúvidas sobre o que fazer em um momento emocionalmente difícil.
Mito ou verdade: uma pessoa pode doar órgãos em vida?
Verdade.
A doação não acontece apenas depois da morte. Em determinadas situações, uma pessoa viva pode doar alguns órgãos ou partes deles, desde que esteja em condições adequadas de saúde e que sejam respeitados os critérios médicos e legais.
Entre as possibilidades estão:
- um dos rins;
- parte do fígado;
- parte do pulmão;
- medula óssea.
A doação em vida passa por avaliações médicas justamente para verificar se o procedimento pode ser realizado sem causar prejuízos à saúde do doador.
Também existem regras sobre quem pode fazer esse tipo de doação. Parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores dentro das condições previstas. Quando não existe esse vínculo, é necessária autorização judicial.

Mito ou verdade: existe uma idade máxima para ser doador?
Mito.
Não existe uma idade única que determine, sozinha, se uma pessoa pode ou não doar seus órgãos.
O que realmente importa é a avaliação das condições de saúde e dos órgãos disponíveis. A equipe responsável analisa cada situação individualmente e verifica se determinado órgão ou tecido apresenta condições para ser utilizado em um transplante.
Por isso, uma pessoa não deve deixar de conversar com a família sobre sua vontade de doar apenas por acreditar que está velha demais. A idade pode ser considerada em situações específicas, mas não é o único fator utilizado para avaliar a possibilidade de doação.
Mito ou verdade: qualquer pessoa pode ser doadora?
Mito.
Embora não exista uma restrição absoluta para todos os casos, a doação depende de alguns critérios.
A equipe médica precisa avaliar, entre outros aspectos, a causa da morte e as condições de saúde do possível doador. A existência de determinadas doenças infecciosas ativas, por exemplo, pode impedir ou restringir a utilização de órgãos e tecidos.
Dessa forma, não é necessário avaliar antecipadamente se seus órgãos serão necessariamente utilizados. O desejo de doar deve ser comunicado à família, enquanto a avaliação médica será feita no momento adequado.
Mito ou verdade: quem está tentando salvar a vida de uma pessoa pode desistir do tratamento para retirar os órgãos?
Mito.
Não existe conflito entre o atendimento destinado a salvar a vida de um paciente e o processo de doação de órgãos.
A retirada de órgãos para transplante só é considerada depois que a morte encefálica é confirmada de acordo com os critérios estabelecidos. Antes disso, todos os esforços necessários para tentar preservar a vida do paciente são realizados.
Somente depois da confirmação da morte e da autorização familiar é que o processo de doação pode avançar.
Essa separação entre o tratamento do paciente e a doação é fundamental para garantir segurança e seriedade em todo o processo.
Mito ou verdade: o corpo do doador fica deformado?
Mito.
Esse é um dos receios que mais podem gerar insegurança nas famílias, mas a retirada de órgãos é realizada como um procedimento cirúrgico.
Depois da retirada, o corpo é devidamente recomposto pela equipe responsável. A família pode realizar o velório normalmente, sem que a doação impeça a despedida.
No caso das córneas, por exemplo, são utilizados recursos apropriados para recompor a região. Na retirada de ossos, cartilagens e tendões, também podem ser utilizadas próteses para reconstruir as áreas necessárias.
A aparência do doador é preservada, permitindo que os familiares façam sua despedida de maneira habitual.
Mito ou verdade: a família pode escolher quem vai receber os órgãos?
Mito.
Quando a doação acontece depois da morte, nem o doador nem os familiares podem escolher o receptor.
Os órgãos são destinados a pacientes que aguardam por um transplante e estão cadastrados no sistema de lista única. A distribuição segue critérios técnicos, que podem envolver compatibilidade sanguínea, tempo de espera, urgência e outros fatores relacionados ao tipo de transplante.
A Central Estadual de Transplantes utiliza um sistema informatizado para identificar os possíveis receptores.
Dessa maneira, a distribuição segue critérios previamente definidos e busca garantir mais organização, transparência e segurança.
Mito ou verdade: um único doador pode ajudar várias pessoas?
Verdade.
Dependendo das condições dos órgãos e tecidos, um único doador pode contribuir para o tratamento de vários pacientes.
Rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, pele, ossos e tendões estão entre os órgãos e tecidos que podem ser avaliados para doação.
Isso mostra por que conversar sobre o assunto é tão importante. Uma decisão individual pode representar novas possibilidades para pessoas que estão esperando por um transplante.
Mito ou verdade: a doação só acontece depois da morte encefálica?
Mito.
A doação de órgãos após a morte pode ocorrer em diferentes situações.
Quando há confirmação de morte encefálica e autorização da família, vários órgãos e tecidos podem ser avaliados para transplante.
Já quando a morte ocorre por parada cardiorrespiratória, a possibilidade de doação é diferente e, conforme os critérios estabelecidos, podem ser aproveitados tecidos como córneas, vasos, pele, ossos e tendões.
Em qualquer situação, a avaliação médica é indispensável para determinar o que poderá ser utilizado.
Mito ou verdade: os órgãos doados vão para quem estiver na lista de espera?
Verdade.
Os órgãos seguem para pacientes que aguardam por um transplante e que atendem aos critérios de compatibilidade e distribuição.
A organização da lista de espera segue um sistema específico, que considera critérios técnicos para definir os possíveis receptores. Entre esses critérios estão fatores como compatibilidade sanguínea, urgência e tempo de espera.
Quando não existe um receptor compatível na região ou quando determinado tipo de transplante não é realizado naquele local, o órgão pode ser disponibilizado para distribuição nacional.
Esse sistema existe justamente para tornar o processo mais organizado e transparente.

Por que conversar com a família faz tanta diferença?
A negativa familiar é apontada como um dos principais motivos para que potenciais doações não sejam realizadas. Em muitos casos, a pessoa poderia ser uma doadora, mas sua vontade não era conhecida pelos familiares.
Por isso, não basta apenas pensar “eu quero doar”. É importante contar essa decisão para quem está próximo.
Falar sobre doação de órgãos pode parecer desconfortável no começo, mas é uma conversa que pode evitar dúvidas no futuro. Quanto mais a família conhece a vontade de uma pessoa, mais preparada estará para respeitá-la quando necessário.
Doação de órgãos é um gesto de solidariedade
Como vimos, quando o assunto é doação de órgãos, informação faz toda a diferença. Conhecer como o processo funciona ajuda a deixar de lado os principais mitos e a entender que a doação segue critérios médicos e legais para garantir segurança em todas as etapas.
Por isso, se você deseja ser doador, converse com seus familiares e deixe sua vontade clara. Uma conversa simples pode fazer a diferença e, no futuro, representar uma nova oportunidade para alguém que espera por um transplante.
Você já conhecia essas informações sobre doação de órgãos? Já conversou com sua família sobre o assunto? Conte nos comentários e compartilhe sua opinião com a gente!
* Com informações do Ministério da Saúde.
** Confira também aqui no blog o post Quer ser um doador de órgãos? Veja tudo o que você precisa saber sobre o assunto.
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