O refluxo em bebês é muito comum nos primeiros meses de vida e, na maioria das vezes, faz parte do desenvolvimento normal do sistema digestivo. As famosas “golfadas” podem assustar os pais, mas nem sempre significam que existe uma doença.
Essa condição acontece porque o organismo dos bebês ainda está amadurecendo. Além disso, ficam bastante tempo deitados e, para o tamanho do corpo, tomam uma quantidade relativamente grande de leite. Por isso, é mais fácil que parte do conteúdo do estômago volte para o esôfago e saia pela boca.
Saber diferenciar o refluxo comum dos sinais que merecem atenção ajuda os pais a ficarem mais tranquilos e, quando necessário, procurarem o pediatra no momento certo. Ao longo deste conteúdo, você vai entender por que o refluxo acontece, como identificar os principais sinais e quais cuidados devem fazer parte da rotina do bebê!
O que é refluxo em bebês?
O refluxo gastroesofágico acontece quando parte do conteúdo que está no estômago volta para o esôfago. Em alguns casos, esse conteúdo chega até a boca e provoca a regurgitação, conhecida popularmente como “golfada”.
Como explica a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o refluxo é um processo fisiológico comum, especialmente nos primeiros meses de vida. Até metade dos bebês saudáveis pode apresentar regurgitações várias vezes ao dia nessa fase.
Dessa forma, o refluxo costuma ser mais evidente nos primeiros meses, podendo atingir um pico por volta dos seis meses e diminuir gradualmente. Na maioria das crianças, desaparece espontaneamente durante o desenvolvimento.
Refluxo ou vômito: qual é a diferença?
Apesar de muitas famílias usarem os termos como sinônimos, regurgitação e vômito não são exatamente a mesma coisa.
A regurgitação é a saída de uma pequena quantidade de leite ou conteúdo do estômago pela boca, geralmente sem esforço. É aquela golfada que aparece depois da mamada e, muitas vezes, não causa grande desconforto ao bebê.
Já o vômito envolve esforço. O bebê pode fazer força com a barriga e apresentar uma eliminação mais intensa do conteúdo do estômago.
Essa diferença é importante porque vômitos frequentes, principalmente quando são fortes ou acompanhados de outros sintomas, precisam ser avaliados pelo pediatra.
Por que o refluxo acontece?
O refluxo em bebês pode ter várias explicações. Como vimos, possui relação na maioria das vezes com a imaturidade natural do sistema digestivo.
O esfíncter esofágico inferior, uma espécie de “válvula” localizada entre o esôfago e o estômago, ajuda a impedir que o alimento retorne. Nos primeiros meses, porém, essa estrutura pode ainda não funcionar de maneira totalmente eficiente.
Outros fatores também podem favorecer o refluxo, como:
- alimentação em excesso;
- posição inadequada durante ou logo depois da mamada;
- exposição à fumaça de cigarro;
- algumas intolerâncias ou alergias alimentares;
- esvaziamento mais lento do estômago;
- determinadas alterações anatômicas ou condições de saúde.
Algumas doenças pulmonares e condições específicas também podem aumentar a pressão sobre o estômago e favorecer o retorno do conteúdo gástrico.
É importante lembrar que alergias e intolerâncias alimentares não são a explicação mais comum para as golfadas. Por isso, mudanças na alimentação do bebê ou da mãe que amamenta não devem ser feitas por conta própria.

Quando o refluxo deixa de ser normal?
O refluxo fisiológico não costuma prejudicar o crescimento ou a qualidade de vida do bebê. A situação muda quando os episódios passam a causar problemas.
Alguns sinais que merecem atenção são:
- dificuldade para ganhar peso ou perda de peso;
- recusa frequente das mamadas;
- choro e irritabilidade associados às mamadas;
- vômitos persistentes;
- sangue no vômito;
- dificuldade para respirar;
- tosse ou chiado recorrente;
- episódios de engasgo;
- sinais de desidratação.
Em situações mais graves, o conteúdo do estômago pode chegar às vias respiratórias, fenômeno chamado aspiração. Isso pode estar relacionado a tosse, alterações respiratórias e, em alguns casos, pneumonia.
Como é feito o diagnóstico?
Nem todo bebê que regurgita precisa fazer exames. Quando há sinais diferentes do esperado, sintomas persistentes ou suspeita de alguma complicação, o médico pode solicitar uma investigação mais detalhada.
Entre os exames que podem ser utilizados estão a pHmetria, a impedanciometria, exames de imagem, ultrassonografia abdominal e endoscopia digestiva alta.
O objetivo não é apenas confirmar a existência do refluxo. Dependendo do caso, os exames ajudam a investigar outras causas de vômitos ou verificar se houve alguma consequência, como inflamação do esôfago.
O que fazer para aliviar o refluxo em bebês?
Se o bebê regurgita pouco e está crescendo normalmente, geralmente basta acompanhar e esperar a maturação do sistema digestivo. Para aliviar o desconforto, pode-se manter a criança em posição vertical após as mamadas, ajudá-la a arrotar, evitar roupas apertadas e fumaça de cigarro.
Em alguns casos, o pediatra pode avaliar mudanças na fórmula ou na alimentação materna. Não troque a fórmula, faça restrições alimentares ou dê medicamentos sem orientação médica.
Um cuidado importante na hora de dormir
Uma dúvida bastante comum é se o bebê com refluxo deve dormir com a cabeceira elevada.
Segundo as recomendações apresentadas pelo Manual MSD, os bebês devem ser colocados para dormir de costas, em superfície adequada, por questões de segurança. Elevar o colchão ou improvisar posições para tentar controlar o refluxo pode trazer riscos.
Portanto, medidas para aliviar o refluxo durante o período acordado não devem ser confundidas com a posição segura para o sono.

Medicamentos para refluxo: quando são necessários?
Nem todo bebê com refluxo precisa de remédio. Se há apenas golfadas e o crescimento está normal, medicamentos geralmente não são necessários.
Caso seja identificada a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ou outras complicações, o pediatra pode indicar tratamento específico. O uso de medicamentos deve ser individualizado e nunca feito por conta própria. Já a cirurgia é rara e reservada para casos graves que não melhoram com outras medidas.
Checklist: sinais que merecem avaliação médica
Para facilitar, vale guardar esta lista de situações que justificam conversar com o pediatra:
- Bebê que não ganha peso adequadamente ou perde peso.
- Vômitos repetidos ou muito intensos.
- Sangue no vômito ou na fralda.
- Recusa persistente das mamadas.
- Dificuldade para respirar, engasgos ou episódios de pausa respiratória.
- Barriga muito inchada.
- Sonolência excessiva ou aparência muito abatida.
- Febre alta ou outros sintomas importantes associados aos vômitos.
Na presença de sinais de urgência, a criança deve receber atendimento médico imediato.
Refluxo em bebês: perguntas frequentes
Todo bebê que golfa tem refluxo?
A regurgitação é uma manifestação do refluxo, mas é muito comum em bebês saudáveis. Golfar não significa automaticamente que a criança tenha Doença do Refluxo Gastroesofágico.
Até que idade o refluxo é comum?
O refluxo tende a ser mais frequente nos primeiros meses de vida e costuma diminuir conforme o bebê cresce. Na maioria dos casos de refluxo fisiológico, acontece a melhora espontânea ao longo do primeiro ano.
Refluxo faz o bebê chorar?
Pode haver desconforto em alguns casos, mas o choro sozinho não confirma que a causa seja refluxo. Por isso, é importante observar outros sinais e conversar com o pediatra.
Posso engrossar a fórmula do bebê?
Em determinadas situações, o pediatra pode recomendar o espessamento da alimentação. Porém, isso deve ser feito somente com orientação profissional, inclusive para definir o produto e a quantidade adequados.
Bebê com refluxo pode dormir de lado ou de barriga para baixo?
A posição para dormir deve seguir as orientações de segurança infantil. O Manual MSD recomenda colocar o bebê para dormir de costas, e não alterar essa posição por conta própria para tentar controlar o refluxo.
Preciso parar de amamentar por causa do refluxo?
Não. A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que o aleitamento materno não deve ser interrompido por conta própria. Qualquer mudança deve ser discutida com o pediatra.
O mais importante é observar o bebê como um todo
O refluxo em bebês costuma fazer parte de uma fase passageira do desenvolvimento. As golfadas são frequentes nos primeiros meses e, quando a criança está bem, mamando e ganhando peso normalmente, geralmente não indicam uma doença.
Por outro lado, sintomas persistentes, dificuldade para crescer, recusa alimentar, vômitos intensos ou alterações respiratórias precisam de avaliação. O diagnóstico correto evita tanto a preocupação desnecessária quanto tratamentos que o bebê realmente não precisa.
As informações que trouxemos aqui ajudam a entender o problema, mas não substituem a consulta individual com um pediatra. Cada bebê deve ser avaliado considerando sua idade, alimentação, crescimento e conjunto de sintomas.
Seu bebê já teve refluxo? Como foram os sintomas e o que ajudou no dia a dia? Compartilhe sua experiência nos comentários!
* Com informações de Manual MSD e Sociedade Brasileira de Pediatria.
** Confira também aqui no blog o post Sapinho em bebês: entenda os sintomas, causas e ocorrências em adultos.
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