Você já ouviu falar em síndrome do coração partido? Apesar de parecer apenas uma expressão usada para falar de uma grande decepção, essa condição existe de verdade e está relacionada a uma alteração temporária no funcionamento do coração.
Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo ou cardiomiopatia induzida por estresse, a condição pode surgir depois de situações que provocam uma forte reação emocional ou física. Em alguns casos, os sintomas são tão parecidos com os de um infarto que é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
Neste conteúdo, vamos explicar o que é a síndrome do coração partido, por que ela acontece, quais são os principais sintomas, quem pode ter maior risco e o que fazer para cuidar melhor da saúde do coração!
O que é a síndrome do coração partido?
A síndrome do coração partido é uma alteração que afeta o músculo cardíaco, principalmente o ventrículo esquerdo, uma das estruturas responsáveis por bombear o sangue para o restante do organismo.
O problema costuma aparecer de forma repentina e, na maioria das vezes, é temporário. Durante o episódio, uma parte do ventrículo esquerdo passa a se contrair de maneira inadequada, prejudicando momentaneamente a capacidade do coração de bombear sangue.
Essa alteração está frequentemente relacionada a situações de estresse intenso, que provocam uma grande liberação de hormônios como a adrenalina.
Apesar de poder assustar, a condição costuma apresentar evolução favorável. A recuperação geralmente acontece entre sete e 30 dias, embora existam casos mais graves que precisam de acompanhamento hospitalar.
Por que o estresse pode afetar o coração?
Nosso organismo possui mecanismos naturais para reagir a situações de perigo ou grande tensão. Em momentos de estresse intenso, as glândulas adrenais aumentam a liberação de substâncias como a adrenalina.
Esse processo é importante para preparar o corpo para reagir rapidamente. O problema é que uma descarga muito intensa de hormônios do estresse pode interferir temporariamente no funcionamento do coração.
Na síndrome do coração partido, essa resposta pode provocar alterações na circulação dos pequenos vasos que alimentam o músculo cardíaco e prejudicar a contração do ventrículo esquerdo.
A causa exata da doença ainda não é completamente conhecida. De acordo com informações do portal Drauzio Varella, cerca de 80% dos casos estão associados a acontecimentos estressantes, enquanto uma parte dos episódios ainda não apresenta um gatilho claramente identificado.
Quais situações podem desencadear a síndrome?
Quando se fala em “coração partido”, é comum pensar imediatamente no fim de um relacionamento. Mas o gatilho pode ser muito mais amplo.
Qualquer situação emocionalmente intensa pode estar relacionada ao aparecimento dessa condição. Entre os possíveis acontecimentos associados estão:
- Morte de uma pessoa querida;
- Término de um relacionamento;
- Problemas familiares;
- Dificuldades financeiras;
- Perda do emprego;
- Acidentes;
- Diagnósticos ou situações de saúde muito difíceis;
- Episódios de grande ansiedade ou tensão;
- Outras situações capazes de provocar forte impacto emocional ou físico.
Vale lembrar que nem sempre o fator desencadeante é uma experiência negativa. Situações de grande alegria ou surpresa também podem provocar uma descarga intensa de adrenalina.
Ou seja, a resposta do organismo ao estresse parece ser mais importante do que o fato de o acontecimento ser considerado “bom” ou “ruim”.

Quem pode desenvolver a síndrome do coração partido?
A síndrome do coração partido pode afetar diferentes pessoas. No entanto, alguns grupos aparecem com maior frequência entre os casos identificados.
A condição é especialmente observada em mulheres depois dos 50 anos, principalmente durante ou após a menopausa. Uma das hipóteses estudadas é que a redução do estrogênio possa ter relação com essa maior vulnerabilidade cardiovascular.
Idosos e pessoas que apresentam determinadas condições neurológicas ou psicológicas também podem fazer parte dos grupos mais suscetíveis.
Isso não significa, porém, que uma pessoa jovem ou que não faça parte desses grupos esteja protegida. A condição pode ocorrer em diferentes idades e circunstâncias.
Sintomas da síndrome do coração partido
Um dos principais motivos para a síndrome do coração partido exigir atenção é a semelhança com um infarto.
A pessoa pode sentir os sintomas de maneira repentina, especialmente após uma situação de forte estresse. Os sinais mais comuns incluem:
- Dor ou pressão no peito;
- Falta de ar;
- Cansaço intenso;
- Suor excessivo;
- Tontura ou desmaio;
- Alterações nos batimentos cardíacos;
- Queda da pressão arterial;
- Em alguns casos, náuseas e vômitos.
Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente ao estresse ou à ansiedade. Dor no peito, falta de ar, cansaço extremo e alterações nos batimentos precisam ser avaliados rapidamente por profissionais de saúde.
Isso é importante porque somente uma avaliação médica consegue diferenciar a síndrome do coração partido de um infarto e de outras doenças cardiovasculares.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com a avaliação dos sintomas, do histórico de saúde e das circunstâncias que antecederam o episódio.
Depois, o médico pode solicitar exames para observar o funcionamento do coração e descartar outras causas para os sintomas, tais como:
- Eletrocardiograma: registra a atividade elétrica do coração e pode apresentar alterações semelhantes às observadas em um infarto.
- Ecocardiograma: permite observar a estrutura e os movimentos do coração.
- Exames de sangue: podem identificar alterações em substâncias relacionadas à lesão do músculo cardíaco.
- Exames de imagem: ajudam a analisar a estrutura e o funcionamento do coração.
- Angiografia ou cateterismo: pode ser utilizado para verificar as artérias coronárias e ajudar a diferenciar a síndrome de um bloqueio arterial.
Como é o tratamento?
Não existe um único tratamento específico para todos os casos de síndrome do coração partido. A conduta depende das condições apresentadas pelo paciente e da avaliação médica.
Como o coração geralmente recupera sua função depois da fase aguda, alguns medicamentos podem ser utilizados para reduzir o esforço do órgão e controlar possíveis complicações. Em algumas situações, principalmente quando há complicações ou outras doenças associadas, pode ser necessária a internação para acompanhamento.
Técnicas de relaxamento, atividade física orientada e estratégias para reduzir o estresse também podem fazer parte dos cuidados. Nesse sentido, atividades como caminhada e corrida podem contribuir para o controle do estresse físico e emocional.

A síndrome do coração partido pode ser evitada?
Não existe uma maneira garantida de impedir que a cardiomiopatia de Takotsubo aconteça. Afinal, nem sempre é possível prever como o organismo reagirá diante de uma situação de grande estresse. Mesmo assim, cuidar da saúde cardiovascular e aprender a lidar melhor com situações de tensão pode ser positivo.
Algumas atitudes que podem contribuir para esse cuidado são:
- Praticar atividade física regularmente, respeitando as orientações médicas;
- Ter momentos de descanso e lazer;
- Buscar apoio emocional quando estiver enfrentando uma situação difícil;
- Evitar o isolamento social;
- Manter acompanhamento médico quando houver fatores de risco cardiovasculares.
FAQ: dúvidas frequentes sobre a síndrome do coração partido
Síndrome do coração partido existe mesmo?
Sim. É uma condição cardíaca, conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo ou cardiomiopatia induzida por estresse, que pode causar uma alteração temporária no funcionamento do coração.
A síndrome do coração partido é um infarto?
Não. Embora os sintomas possam ser muito parecidos, são condições diferentes. Por isso, diante de dor no peito ou falta de ar, é necessário procurar atendimento médico para descobrir a causa.
Quanto tempo dura a síndrome do coração partido?
Na maioria dos casos, a alteração é temporária. A recuperação costuma ocorrer em um período de aproximadamente sete a 30 dias.
Somente mulheres podem ter a doença?
Não. A síndrome pode afetar diferentes pessoas, mas é observada com maior frequência em mulheres, especialmente após a menopausa.
Ansiedade pode causar síndrome do coração partido?
Situações de forte estresse emocional podem estar relacionadas ao desenvolvimento da condição. Porém, não é possível afirmar que toda crise de ansiedade resulte em cardiomiopatia de Takotsubo.
Quando procurar ajuda médica?
Sempre que surgirem sintomas como dor no peito, falta de ar, desmaio, suor intenso ou alterações importantes nos batimentos, é importante buscar atendimento imediatamente. Esses sinais podem indicar diferentes problemas cardiovasculares e precisam ser investigados.
Cuidar das emoções também é cuidar do coração
A síndrome do coração partido mostra como corpo e emoções estão mais conectados do que muitas vezes imaginamos. Uma situação de grande impacto pode desencadear uma resposta física importante, inclusive no funcionamento do coração.
Apesar de geralmente apresentar recuperação, a condição não deve ser tratada como algo simples ou confundida apenas com uma reação emocional. Sintomas cardíacos precisam sempre ser investigados, principalmente porque a síndrome pode se parecer bastante com um infarto.
Por isso, ao sentir dor no peito, falta de ar ou qualquer outro sintoma cardiovascular importante, não espere passar por conta própria. Procure atendimento médico.
Você já tinha ouvido falar na síndrome do coração partido? Conhecia a relação entre estresse intenso e saúde do coração? Conte nos comentários o que achou deste conteúdo e compartilhe sua experiência ou dúvida sobre o assunto.
* Confira também aqui no blog o post Sintomas silenciosos do coração: sinais que você não deve ignorar.
** Com informações do portal Drauzio Varella e do Hospital Albert Einstein.
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