Janeiro roxo: conheça os sintomas da hanseníase e a importância do diagnóstico precoce

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Os sintomas da hanseníase ainda passam despercebidos por muitas pessoas, mesmo sendo uma doença conhecida há milhares de anos. Manchas na pele, dormência e perda de sensibilidade costumam surgir de forma lenta, o que faz com que o diagnóstico demore e aumente o risco de complicações. No Brasil, a hanseníase segue como um importante desafio de saúde pública, exigindo atenção constante.

Apesar de ter tratamento gratuito e alta possibilidade de cura quando identificada precocemente, a hanseníase ainda carrega estigmas históricos que afastam as pessoas dos serviços de saúde. O medo, a desinformação e o preconceito contribuem para o atraso no cuidado, principalmente em regiões mais vulneráveis.

Neste texto, vamos falar sobre os principais sintomas da hanseníase e como ocorre a transmissão, além de abordar a importância do diagnóstico precoce e da conscientização promovida pelo Janeiro Roxo. Siga a leitura conosco!

O que é a hanseníase e por que ela ainda preocupa?

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada por uma bactéria que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Mesmo tendo tratamento, essa condição ainda afeta milhares de pessoas todos os anos, especialmente em países em desenvolvimento.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022 foram registrados 174.087 novos casos de hanseníase no mundo, o que representa uma taxa de 21,8 casos por milhão de habitantes. Índia, Brasil e Indonésia lideram esse ranking, cada um com mais de 10 mil novos diagnósticos no ano.

O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos, o que reforça a necessidade de campanhas de conscientização, como o Janeiro Roxo, que incentiva o diagnóstico precoce e o combate ao preconceito.

Janeiro Roxo: informação como ferramenta de prevenção

O Janeiro Roxo é o mês dedicado à conscientização sobre a hanseníase no Brasil. A campanha chama a atenção para sinais precoces da doença, incentiva a busca por atendimento médico e reforça que a hanseníase tem cura e tratamento gratuito pelo SUS.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é uma das principais apoiadoras da iniciativa. Segundo a entidade, quanto mais cedo a doença é identificada, menores são as chances de sequelas físicas e maior é a possibilidade de interromper a transmissão.

Além disso, o mês também serve para desconstruir mitos antigos que ainda associam a hanseníase ao isolamento social, algo que não faz parte da realidade atual do tratamento.

Sintomas da hanseníase: fique atento aos sinais iniciais

Os sintomas da hanseníase podem aparecer de forma discreta e evoluir lentamente ao longo dos anos. O sinal mais comum são manchas na pele, que podem ser claras, avermelhadas, amarronzadas ou rosadas. O principal diferencial dessas manchas é a alteração ou perda de sensibilidade.

A pessoa pode perceber que aquela região não sente dor, calor, frio ou toque da mesma forma que o restante do corpo. Esse detalhe é fundamental para levantar a suspeita da doença.

Outros sintomas frequentes incluem:

  • Dormência e formigamento, principalmente em mãos e pés;
  • Sensação de choques ou fisgadas nos membros;
  • Fraqueza muscular;
  • Inchaço nas extremidades;
  • Diminuição dos pelos e do suor em algumas áreas da pele;
  • Presença de caroços ou nódulos, que podem ser dolorosos.

Transmissão: como a doença se espalha?

A hanseníase é transmitida pelas vias respiratórias, por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. No entanto, não se trata de uma doença de fácil contágio.

Para que a transmissão ocorra, é necessário contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada que ainda não iniciou o tratamento. Objetos pessoais, roupas, talheres, abraços ou apertos de mão não transmitem a doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das pessoas tem resistência natural à bactéria e não desenvolve a hanseníase, mesmo após a exposição. Outra questão importante é que, logo no início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença.

Hanseníase em crianças: um sinal de alerta

Em 2022, o mundo registrou em torno de 10 mil novos casos de hanseníase em crianças menores de 15 anos, um aumento de 14,6% em relação ao ano anterior. Ou seja, uma estatística que acende um alerta importante.

Casos em crianças indicam transmissão ativa da doença, geralmente dentro do ambiente familiar. Por isso, quando uma criança recebe o diagnóstico, é fundamental que todos os contatos próximos passem por avaliação.

O diagnóstico infantil exige ainda mais atenção, já que a avaliação da sensibilidade pode ser mais difícil nessa faixa etária.

Diagnóstico: avaliação clínica é fundamental

O diagnóstico da hanseníase é feito principalmente por meio do exame clínico dermatológico e neurológico. O profissional avalia a pele, testa a sensibilidade e observa possíveis alterações nos nervos periféricos.

Como informa a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o dermatologista tem papel central nesse processo, podendo solicitar exames laboratoriais ou realizar biópsias da pele quando necessário.

Em casos mais complexos ou quando não há lesões visíveis, o paciente pode ser encaminhado para unidades de referência, onde exames mais detalhados ajudam a confirmar o diagnóstico.

Tratamento gratuito e eficaz pelo SUS

A hanseníase tem cura, e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em geral, esse protocolo inclui a combinação de três medicamentos, conhecida como poliquimioterapia.

A duração do tratamento varia:

  • Seis meses para casos paucibacilares;
  • Doze meses para casos multibacilares.

Os medicamentos são seguros, eficazes e permitem que o paciente siga sua rotina normalmente. Ao concluir corretamente o tratamento, a pessoa recebe alta por cura.

Familiares e pessoas que convivem com o paciente também devem passar por avaliação médica como medida preventiva.

Complicações e prevenção das incapacidades

As principais complicações da hanseníase estão ligadas às lesões nos nervos. É que quando não tratada, a doença pode comprometer os nervos, levando à perda de força, deformidades e limitações para atividades simples do dia a dia.

Em 2022, foram registrados mais de 9 mil casos com Grau de Incapacidade Física 2, o que representa uma taxa de 1,2 caso por milhão de habitantes, segundo dados globais.

Essas incapacidades podem causar limitações físicas, dor neuropática e impacto emocional. Por isso, o diagnóstico precoce é a principal estratégia para evitar sequelas.

O autocuidado, o acompanhamento médico regular e o tratamento adequado das reações inflamatórias fazem parte da prevenção das deficiências físicas.

Estigma e discriminação ainda são desafios

Apesar dos avanços médicos, a hanseníase ainda é cercada por preconceito. O estigma pode levar à exclusão social, sofrimento emocional e atraso na busca por atendimento.

O Brasil foi pioneiro ao proibir oficialmente o uso do termo “lepra” em documentos públicos, reconhecendo que a história da hanseníase é, acima de tudo, uma história de pessoas e famílias.

Combater a desinformação é essencial para garantir dignidade, adesão ao tratamento e inclusão social.

Atenção aos sintomas da hanseníase garante maior qualidade de vida

Reconhecer os sintomas da hanseníase é o primeiro passo para interromper a transmissão e evitar complicações. 

Portanto, ao notar manchas com alteração de sensibilidade, dormência ou fraqueza muscular, procure uma unidade de saúde ou um dermatologista pelo SUS. Quando o tratamento começa cedo, a cura acontece sem sequelas e com impacto mínimo na vida do paciente.

Agora queremos saber de você: esse conteúdo ajudou a esclarecer dúvidas sobre a hanseníase? Você já conhecia os sintomas ou as ações do Janeiro Roxo? Deixe seu comentário abaixo e participe desta conversa tão importante.


* Confira também aqui no blog o post Dezembro Laranja: saiba como detectar e prevenir o câncer de pele.

** Com informações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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