Março Lilás: entenda como prevenir o câncer do colo do útero e a importância do exame preventivo

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O câncer do colo de útero é um dos tipos de câncer que podem ser fortemente prevenidos quando há informação, vacinação e acompanhamento médico regular. Mesmo assim, milhares de pessoas ainda são diagnosticadas todos os anos no Brasil, o que mostra a importância de falar sobre o tema de forma objetiva e acessível.

Durante o Março Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, profissionais de saúde reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Pequenas atitudes no dia a dia podem reduzir significativamente os riscos e aumentar as chances de cura.

Aqui na Farmácias Associadas, apoiamos esse movimento de divulgação de informação, por isso, neste texto, iremos falar sobre o que é o câncer do colo do útero, suas causas, sintomas, formas de prevenção, exames de diagnóstico e possibilidades de tratamento. Confira o conteúdo e compartilhe com amigos e familiares!

O que é o câncer do colo do útero?

O câncer do colo do útero é um tumor que se desenvolve na parte inferior do útero, chamada colo uterino, região que conecta o útero à vagina. A doença surge quando células dessa área passam por alterações e começam a se multiplicar de forma descontrolada.

Esse processo costuma ser lento. Antes de se tornar um câncer, normalmente surgem pequenas alterações celulares, conhecidas como lesões precursoras. Essas mudanças podem ser identificadas por exames de rotina e tratadas precocemente, evitando a evolução da doença.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 17 mil novos casos anuais de câncer do colo do útero. Ainda segundo dados de mortalidade por câncer, milhares de mortes continuam ocorrendo todos os anos, o que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Outro ponto importante é que o câncer do colo do útero está diretamente relacionado a condições de acesso à informação e aos serviços de saúde. Quanto maior o acesso ao exame preventivo e à vacinação, menores são as taxas da doença.

A principal causa da doença

A principal causa do câncer do colo do útero é a infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), vírus transmitido principalmente pelo contato sexual. Existem diversos tipos de HPV, mas alguns deles têm maior potencial de causar câncer.

A maioria das pessoas terá contato com o HPV ao longo da vida, e, na maior parte das vezes, o próprio organismo elimina o vírus sem necessidade de tratamento. O problema acontece quando a infecção permanece por anos no corpo, provocando alterações nas células do colo do útero.

Entre os fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença, o tabagismo merece destaque, pois contribui para enfraquecer o sistema imunológico e facilitar a persistência do HPV no organismo. 

Além disso, vale citar também os seguintes fatores:

  • Início precoce da vida sexual;
  • Baixa imunidade;
  • Uso prolongado de anticoncepcionais hormonais;
  • Infecção por HIV.

Sintomas que merecem atenção

Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero geralmente não apresenta sintomas. Por isso, muitas pessoas só descobrem a doença quando ela já está em fase mais avançada, especialmente quando não realizam o exame preventivo regularmente.

Com a progressão da doença, alguns sinais podem surgir e devem ser investigados por um profissional de saúde. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Sangramento fora do período menstrual;
  • Sangramento após relações sexuais;
  • Corrimento vaginal persistente;
  • Corrimento com odor forte ou presença de sangue;
  • Dor durante a relação sexual.

Em estágios mais avançados, podem aparecer outros sintomas, como:

  • Dor na região pélvica;
  • Dor lombar;
  • Cansaço excessivo;
  • Inchaço nas pernas;
  • Alterações renais.

Essas condições não significam necessariamente câncer. Entretanto, nunca devem ser ignoradas. A avaliação médica é fundamental para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado, se necessário.

Como prevenir o câncer do colo do útero

A prevenção do câncer do colo do útero envolve diferentes cuidados de saúde que se complementam. Essas ações ajudam tanto a evitar a infecção pelo vírus quanto a identificar alterações celulares antes que elas se tornem um tumor.

Entre as principais medidas recomendadas estão:

  • Vacinação contra o HPV;
  • Uso de preservativos nas relações sexuais;
  • Realização do exame preventivo regularmente;
  • Acompanhamento ginecológico periódico;
  • Parar de fumar.

Como funciona a vacina contra o HPV

A vacina contra o HPV é uma das principais estratégias de prevenção do câncer do colo do útero. O imunizante está disponível gratuitamente para determinados grupos no Sistema Único de Saúde (SUS) e protege contra os tipos do vírus mais associados ao desenvolvimento da doença.

A vacinação é recomendada principalmente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, pois a proteção é maior antes do início da vida sexual. Outros grupos também podem receber a vacina conforme orientação médica e critérios do sistema público de saúde.

A vacina tetravalente protege contra quatro tipos de HPV, incluindo os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.

Pessoas fora da faixa etária contemplada pelo SUS também podem se vacinar após avaliação médica. Nesses casos, o imunizante pode ser encontrado em clínicas particulares e serviços privados de vacinação.

Mesmo com a vacinação, a realização do exame preventivo continua sendo necessária, pois a vacina não protege contra todos os tipos do vírus.

O exame preventivo (Papanicolau)

O exame preventivo, conhecido como Papanicolau, é a principal estratégia para detectar lesões precursoras do câncer do colo do útero. Ele é simples, rápido e realizado nas unidades básicas de saúde.

Durante o exame, o profissional coleta células do colo do útero para análise em laboratório. O procedimento dura poucos minutos e pode causar apenas um leve desconforto.

O exame deve ser realizado por pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser anuais. Se os resultados forem normais, o intervalo pode passar para três anos.

Quando o câncer é identificado no início, as chances de cura podem chegar a praticamente 100%, conforme informações do INCA.

O que fazer após o exame

Depois de realizar o exame, é fundamental retornar ao local de atendimento para buscar o resultado e receber orientações. O acompanhamento faz parte do processo de prevenção.

Dependendo do resultado, as recomendações podem variar:

  • Resultado negativo para câncer: repetir o exame em um ano. Se já houver resultado normal anterior, o intervalo passa para três anos.
  • Infecção pelo HPV ou lesão de baixo grau: repetir o exame em cerca de seis meses.
  • Lesão de alto grau: podem ser necessários exames complementares, como a colposcopia.
  • Amostra insatisfatória: deve haver repetição do exame assim que possível.

Novo método de rastreamento

O Ministério da Saúde passou a incorporar ao SUS o teste molecular de DNA-HPV, que identifica a presença do vírus antes do surgimento de lesões no colo do útero.

Esse exame é considerado mais sensível para o rastreamento. Além disso, pode permitir intervalos maiores entre as testagens quando o resultado é negativo.

Mesmo com a incorporação do teste molecular, o exame Papanicolau continua sendo uma ferramenta segura e eficaz, especialmente em locais onde o teste de DNA-HPV ainda não está disponível.

Diagnóstico e tratamento

Quando há suspeita de alterações no colo do útero, o profissional de saúde pode solicitar exames complementares, como colposcopia, teste de DNA-HPV e biópsia. Esses exames ajudam a confirmar o diagnóstico, bem como a definir os próximos passos.

O tratamento depende do estágio da doença e das condições de saúde da paciente. Afinal, em fases iniciais, a remoção das lesões pode ser suficiente para evitar a progressão do câncer.

Em casos mais avançados, podem ser necessários diferentes tipos de tratamento, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias medicamentosas específicas. O acompanhamento médico após o tratamento é essencial para monitorar a recuperação.

Informação e prevenção caminham juntas

O Março Lilás é uma campanha que reforça a importância da conscientização sobre o câncer do colo do útero e incentiva dessa forma a prevenção por meio da vacinação e do exame preventivo. Afinal, quanto maior o acesso à informação e aos serviços de saúde, menores são as chances de diagnóstico tardio.

Portanto, lembre-se: falar sobre o tema é uma forma de incentivar o autocuidado e ajudar mais pessoas a buscarem acompanhamento médico regularmente.

Aliás, você já fez o exame preventivo este ano? E a vacina contra o HPV, você já tomou? Compartilhe sua experiência conosco nos comentários!


* Confira também aqui no blog o post Vacina contra HPV: conheça a imunização que previne diversos tipos de câncer.

** Com informações do Instituto Nacional do Câncer e Ministério da Saúde.

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