Os sintomas da epilepsia ainda geram muitas dúvidas e, infelizmente, também preconceito. Muita gente associa a condição apenas a convulsões intensas, mas nem sempre as crises se manifestam dessa forma. Entender os sinais é essencial para buscar ajuda e agir corretamente.
A epilepsia é uma condição neurológica relativamente comum e pode afetar pessoas de todas as idades. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas convivem com a doença no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que aproximadamente 2% da população tenha epilepsia.
No dia 26 de março, o mundo se mobiliza no chamado “Dia Roxo”, campanha de conscientização que incentiva as pessoas a vestirem roxo para apoiar quem vive com a condição. Aqui, iremos falar sobre os principais sintomas da epilepsia, causas, diagnóstico, tratamento e como agir diante de uma crise.
O que é epilepsia?
A epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por crises repetidas, causadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Essas alterações acontecem de forma temporária e não estão relacionadas à febre, uso de drogas ou distúrbios metabólicos.
Durante uma crise, uma parte do cérebro pode enviar sinais desorganizados. Dependendo da área afetada, os sintomas variam bastante. Em alguns casos, a atividade elétrica anormal fica restrita a uma região específica. Em outros, envolve os dois hemisférios cerebrais.
Por isso, nem toda crise epiléptica é igual, assim como nem sempre chama atenção de forma evidente.
Sintomas da epilepsia: nem toda crise é convulsão
Quando falamos em sintomas da epilepsia, muitas pessoas pensam imediatamente em quedas e movimentos involuntários intensos. Embora isso possa acontecer, existem diferentes tipos de crises, com manifestações variadas.
De forma geral, as crises podem ser classificadas como focais (ou parciais) e generalizadas.
Crises focais (parciais)
Ocorrem quando a descarga elétrica atinge apenas uma área do cérebro. Os sintomas dependem da região afetada e podem incluir:
- Sensações estranhas, como formigamento ou gosto diferente na boca;
- Alterações visuais ou auditivas;
- Movimentos involuntários em uma parte do corpo;
- Sensação súbita de medo ou desconforto no estômago;
- Momentos de “desligamento”, com olhar fixo.
Em alguns casos, a pessoa permanece consciente e percebe o que está acontecendo. Em outros, pode haver perda parcial da consciência, confusão mental e dificuldade para lembrar do que ocorreu.
Crises de ausência
Mais comuns em crianças, são episódios breves em que a pessoa parece estar “no mundo da lua”. Isso porque o indivíduo interrompe o que está fazendo por alguns segundos, mantém o olhar fixo e depois retoma a atividade normalmente.
Muitas vezes, esses episódios passam despercebidos ou são confundidos com distração.
Crises tônico-clônicas (convulsivas)
São as mais conhecidas. Geralmente envolvem:
- Perda súbita da consciência;
- Queda;
- Rigidez muscular;
- Movimentos rítmicos e involuntários dos braços e pernas.
Após a crise, é comum que a pessoa fique confusa, sonolenta e com dor muscular.

O que pode causar epilepsia?
Em muitos casos, não é possível identificar uma causa específica. No entanto, algumas situações podem estar associadas ao desenvolvimento da condição. Entre as causas mais conhecidas estão:
- Traumatismo craniano (pancadas fortes na cabeça);
- Infecções cerebrais, como meningite;
- Neurocisticercose;
- Malformações congênitas do cérebro;
- Histórico familiar;
- Consumo excessivo de álcool ou drogas.
Também é importante lembrar que uma única crise não significa necessariamente epilepsia. O diagnóstico costuma ser considerado quando há crises recorrentes e não provocadas por fatores passageiros.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é principalmente clínico. O médico avalia o histórico detalhado do paciente, incluindo:
- Idade em que as crises começaram;
- Frequência dos episódios;
- Tempo de duração;
- Presença de “aura” (sinal de alerta que antecede a crise);
- Histórico familiar.
O relato de testemunhas é extremamente importante, já que muitas vezes a pessoa não se lembra do que aconteceu.
Exames como eletroencefalograma (EEG) e exames de imagem podem ser solicitados para auxiliar na investigação.
Também é fundamental diferenciar a epilepsia de outras condições que podem provocar perda de consciência, como desmaios (síncope), enxaqueca ou crises psicogênicas.
Tratamento: é possível controlar as crises?
Na maioria dos casos, a epilepsia pode ser controlada com medicamentos. Os remédios atuam regulando a atividade elétrica cerebral e reduzindo a frequência das crises.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico, acompanhamento e tratamento gratuito para pessoas com epilepsia, desde a atenção básica até serviços especializados em neurologia e neurocirurgia.
Em situações em que as crises não respondem aos medicamentos, pode ser indicada cirurgia para remover a área do cérebro responsável pelas descargas anormais. Essa decisão é tomada após uma avaliação cuidadosa por equipe especializada.
Além do tratamento médico, manter hábitos saudáveis, dormir bem e evitar consumo excessivo de álcool também são medidas importantes para reduzir o risco de crises.
O que fazer ao presenciar uma crise epiléptica?
Saber como agir é fundamental para evitar acidentes e complicações. O mais importante é manter a calma. Veja as principais orientações:
- Proteja a cabeça da pessoa com algo macio;
- Afaste objetos que possam causar ferimentos;
- Deixe-a deitada, com a cabeça virada de lado;
- Afrouxe roupas apertadas;
- Permaneça ao lado até ela recuperar a consciência.
E tão importante quanto saber o que fazer é saber o que NÃO fazer:
- Não segure a pessoa ou tente conter os movimentos;
- Não coloque objetos na boca;
- Não ofereça líquidos durante a crise;
- Não jogue água.
* Importante: se a crise durar mais de cinco minutos ou se repetir sem que a pessoa acorde, acione o serviço de emergência imediatamente. Após o episódio, é normal que a pessoa fique confusa ou cansada. Permita que ela descanse.
Epilepsia tem cura?
Depende do caso. Algumas crianças podem deixar de apresentar crises ao longo da vida. Em outros casos, o controle é feito por meio de medicação contínua.
O mais importante é não interromper o tratamento por conta própria. A suspensão dos medicamentos deve ser sempre orientada pelo médico.
O acompanhamento regular ajuda a ajustar doses, avaliar efeitos colaterais e melhorar a qualidade de vida.

Dia Roxo e a importância da informação sobre a epilepsia
Celebrado em 26 de março, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, conhecido como Purple Day (Dia Roxo), surgiu em 2008, nos Estados Unidos, com o objetivo de combater o preconceito e ampliar o conhecimento sobre a condição.
A mobilização se tornou internacional e hoje envolve dezenas de países, incluindo o Brasil, com apoio de instituições de saúde e do Ministério da Saúde.
A conscientização é fundamental porque muitas pessoas com epilepsia ainda enfrentam discriminação e desinformação, mesmo sendo uma condição que, na maioria dos casos, tem tratamento.
Conhecer os sintomas da epilepsia, saber como agir diante de uma crise e incentivar o diagnóstico precoce são atitudes que ajudam a salvar vidas e a promover mais inclusão.
Você já conhecia o significado do Dia Roxo ou já presenciou uma crise epiléptica? Compartilhe sua experiência ou opinião nos comentários!
* Confira também aqui no blog o post Esclerose múltipla: conheça os sintomas da doença neurológica mais comum entre jovens adultos.
** Com informações de Biblioteca Virtual em Saúde e Ministério da Saúde.