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prato e relógio simbolizando jejum intermitente
Saúde

Jejum intermitente emagrece? Entenda os efeitos e riscos da prática no organismo

24 de junho de 2026 9 min de leitura 1 visualizações

O jejum intermitente ganhou popularidade como uma estratégia para emagrecer e melhorar alguns indicadores de saúde. No entanto, apesar dos resultados frequentemente divulgados nas redes sociais, especialistas alertam que a prática não é isenta de riscos e pode provocar efeitos indesejados em determinadas pessoas.

Ficar muitas horas sem se alimentar pode causar sintomas como tontura, fraqueza, irritabilidade, dificuldade de concentração e até episódios de hipoglicemia. Além disso, quando realizado sem orientação adequada, o jejum pode favorecer a perda de massa muscular, deficiências nutricionais e até prejudicar a relação com a alimentação.

Mas será que os benefícios realmente superam os riscos? Neste texto, vamos explicar como o jejum intermitente funciona, quais são seus possíveis efeitos no organismo, quem deve evitar a prática e por que o acompanhamento profissional é fundamental para preservar a saúde.

O que é jejum intermitente?

O jejum intermitente não é exatamente uma dieta, mas sim um padrão alimentar que estabelece períodos específicos para comer e períodos para permanecer em jejum.

Existem diferentes protocolos, mas o mais conhecido é o método 16:8, em que a pessoa fica cerca de 16 horas sem ingerir alimentos e concentra suas refeições em uma janela de oito horas. Na prática, alguém pode jantar às 20h e voltar a se alimentar apenas ao meio-dia do dia seguinte.

Durante o período de jejum, normalmente são permitidos apenas água, café sem açúcar e outras bebidas sem calorias, dependendo da orientação recebida.

A popularidade dessa estratégia aumentou nos últimos anos principalmente devido à promessa de emagrecimento e melhora da saúde metabólica.

Como o jejum intermitente atua no organismo?

Quando ficamos algumas horas sem comer, o corpo passa por diferentes adaptações para continuar funcionando normalmente.

Inicialmente, o organismo utiliza a glicose disponível no sangue e as reservas de glicogênio armazenadas no fígado e nos músculos. Conforme o tempo de jejum aumenta, outras fontes de energia passam a ser utilizadas.

É justamente esse processo que pode contribuir para a perda de peso. Entretanto, segundo especialistas, o resultado não acontece apenas porque a pessoa fica sem comer por determinado período, mas principalmente porque acaba consumindo menos calorias ao longo do dia.

Em entrevista ao portal do Hospital Sírio-Libanês, o endocrinologista Antonio Roberto Chacra destaca que o mais importante para o emagrecimento continua sendo a quantidade total de alimentos consumidos e não necessariamente o número de refeições realizadas.

Jejum intermitente emagrece mesmo?

A resposta curta é: sim, o jejum intermitente pode levar à perda de peso.

Ao reduzir a janela de alimentação, muitas pessoas acabam ingerindo menos calorias, o que favorece o emagrecimento. Além disso, o organismo passa a utilizar parte das reservas energéticas para manter suas funções.

No entanto, é importante entender que nem sempre essa perda de peso representa exclusivamente redução de gordura corporal.

Em períodos prolongados de restrição alimentar, o corpo também pode utilizar proteínas musculares como fonte de energia. Isso significa que parte do peso perdido pode vir da diminuição da massa muscular.

Segundo o médico Daniel Magnoni, especialista em cardiologia, nutrologia e clínica médica, em entrevista à revista Vida Simples, esse é um dos principais pontos de atenção da prática. A perda de massa muscular em excesso pode comprometer a força, a disposição e a saúde ao longo do tempo.

Outro ponto de atenção é que muitas pessoas recuperam o peso perdido após interromper o protocolo e retornar aos hábitos anteriores, fenômeno conhecido como efeito sanfona.

Possíveis benefícios do jejum intermitente

Apesar das controvérsias, alguns estudos sugerem benefícios em determinadas situações, especialmente quando a estratégia é acompanhada por profissionais de saúde. Nesse sentido, entre os efeitos mais frequentemente observados estão:

  • Auxílio no emagrecimento;
  • Redução temporária dos níveis de glicose;
  • Melhora da sensibilidade à insulina;
  • Redução de alguns marcadores metabólicos;
  • Diminuição temporária de medidas corporais.

Em pessoas com resistência à insulina, a perda de peso decorrente do jejum pode contribuir para um melhor controle metabólico.

No entanto, especialistas ressaltam que muitos desses benefícios também podem ser alcançados por meio de uma alimentação equilibrada associada à prática regular de atividade física.

Jejum intermitente e diabetes: existe relação?

O diabetes tipo 2 está fortemente relacionado ao excesso de peso e ao sedentarismo. Por isso, estratégias que favoreçam o emagrecimento podem auxiliar no controle da doença.

De acordo com informações do Hospital Sírio-Libanês, alguns pacientes com diabetes tipo 2 podem apresentar melhora dos níveis glicêmicos quando perdem peso.

Por outro lado, o jejum intermitente não tem indicação para todos os diabéticos.

Pessoas com diabetes tipo 1, por exemplo, apresentam maior risco de desenvolver episódios de hipoglicemia ao permanecer muitas horas sem se alimentar. Nesses casos, a prática pode trazer riscos significativos à saúde.

Por esse motivo, qualquer mudança alimentar deve ser discutida previamente com o médico responsável pelo acompanhamento.

Quais são os riscos do jejum intermitente?

Embora seja frequente a divulgação do jejum intermitente como uma estratégia simples, a prática não está livre de riscos. 

No curto prazo, algumas pessoas podem apresentar sintomas como:

  • Tontura;
  • Fraqueza;
  • Dor de cabeça;
  • Irritabilidade;
  • Queda de pressão;
  • Desidratação;
  • Tremores;
  • Dificuldade de concentração.

Quando associado à prática intensa de exercícios físicos, o risco de hipoglicemia e mal-estar pode aumentar.

A longo prazo, a restrição alimentar inadequada pode favorecer deficiências nutricionais, alterações hormonais e perda de massa muscular. Especialistas também alertam para possíveis impactos na saúde mental e na relação com a comida.

Jejum intermitente pode aumentar o risco de compulsão alimentar?

Uma pesquisa conduzida por especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) trouxe um alerta importante sobre o tema.

O estudo avaliou mais de 400 estudantes universitários e identificou uma associação entre períodos prolongados de jejum e maior presença de comportamentos alimentares desordenados.

Como explica o pesquisador Jônatas de Oliveira, autor do estudo divulgado pelo Jornal da USP, aqueles que praticavam jejuns mais longos apresentavam níveis mais elevados de compulsão alimentar, desejo intenso por comida e consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura.

Os resultados sugerem que, para algumas pessoas, a restrição alimentar pode desencadear um ciclo de controle excessivo seguido de episódios de descontrole alimentar. Isso não significa que todos irão desenvolver compulsão, mas reforça a necessidade de uma avaliação individualizada.

Quem deve evitar o jejum intermitente?

Nem todas as pessoas são candidatas adequadas para esse tipo de estratégia.

De forma geral, o jejum intermitente costuma ser contraindicado para:

  • Pessoas com diabetes tipo 1;
  • Gestantes e lactantes;
  • Crianças e adolescentes em fase de crescimento;
  • Indivíduos com histórico de transtornos alimentares;
  • Pessoas com insuficiência hepática ou renal;
  • Idosos mais vulneráveis à perda de massa muscular;
  • Pessoas que apresentam episódios frequentes de hipoglicemia.

Mesmo para indivíduos saudáveis, a avaliação profissional continua sendo recomendada antes de iniciar qualquer protocolo.

Existe uma forma mais segura de emagrecer?

Especialistas são praticamente unânimes ao afirmar que não existe uma estratégia única que funcione para todas as pessoas. Mais importante do que seguir uma tendência momentânea é construir hábitos que possam ser mantidos a longo prazo.

Dito isso, um processo de emagrecimento sustentável geralmente envolve:

  • Alimentação equilibrada e adequada às necessidades individuais;
  • Prática regular de atividade física;
  • Sono de qualidade;
  • Controle do estresse;
  • Acompanhamento profissional quando necessário.

FAQ sobre jejum intermitente

Jejum intermitente emagrece rápido?

Algumas pessoas podem perder peso rapidamente nas primeiras semanas, mas parte dessa perda pode estar relacionada à eliminação de líquidos e massa muscular.

Posso fazer jejum intermitente todos os dias?

Isso depende das condições de saúde, dos objetivos e da orientação profissional. Nem todas as pessoas toleram bem períodos prolongados sem alimentação.

Jejum intermitente causa perda de massa muscular?

Pode causar, especialmente quando é realizado por longos períodos sem planejamento nutricional adequado.

Quem tem diabetes pode fazer jejum intermitente?

Alguns pacientes com diabetes tipo 2 podem ser avaliados individualmente, mas pessoas com diabetes tipo 1 geralmente não devem adotar essa estratégia sem orientação médica.

Jejum intermitente faz mal para o metabolismo?

Quando realizado de forma inadequada, pode favorecer alterações metabólicas, hormonais e nutricionais.

Jejum intermitente exige cautela e orientação profissional

O jejum intermitente pode promover perda de peso e melhorar alguns indicadores metabólicos em determinadas situações. No entanto, seus resultados não são universais e os possíveis benefícios precisam ser analisados junto aos riscos envolvidos.

Além de provocar sintomas como tontura, fraqueza e hipoglicemia, a prática pode favorecer a perda de massa muscular e até impactar a relação com a alimentação em algumas pessoas. Por isso, antes de iniciar qualquer protocolo de jejum, é fundamental buscar orientação médica e nutricional.

Lembre-se que cada organismo possui necessidades específicas, e uma estratégia que funciona para uma pessoa pode não ser adequada para outra. O acompanhamento profissional ajuda a garantir mais segurança, equilíbrio nutricional e resultados sustentáveis.

Você já experimentou o jejum intermitente ou tem dúvidas sobre essa prática? Compartilhe sua experiência nos comentários e participe da conversa!


* Confira também aqui no blog o post Consumo de proteína: equilíbrio é a chave para uma alimentação saudável.

** Com informações do Hospital Sírio Libanês, Jornal da USP e Revista Vida Simples.

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