O aumento dos casos de sobrepeso e obesidade tem chamado a atenção de especialistas em saúde pública em todo o mundo. Mais do que uma questão estética, o excesso de peso está relacionado ao crescimento das doenças crônicas e à redução da qualidade de vida em diferentes faixas etárias.
Essas duas condições são frequentemente confundidas, mas não significam a mesma coisa. Entender essa diferença é fundamental para reconhecer riscos, buscar acompanhamento profissional e adotar hábitos mais saudáveis ao longo da vida.
Ao longo desse conteúdo, vamos explicar o que diferencia sobrepeso e obesidade, como essas condições são diagnosticadas, suas principais causas, consequências para a saúde e caminhos possíveis para prevenção e cuidado contínuo. Siga a leitura conosco!
Dia Mundial da Obesidade e a realidade brasileira
O Dia Mundial da Obesidade, marcado em 4 de março, reforça o alerta global sobre o crescimento dessa condição crônica e seus impactos na saúde pública. A data também busca estimular políticas de prevenção e ampliar o acesso ao tratamento.
No Brasil, indicadores recentes mostram a dimensão do desafio. Segundo o sistema de vigilância em saúde Vigitel, em 2023 cerca de 24,3% dos adultos das capitais brasileiras viviam com obesidade. Entre adolescentes, levantamentos nacionais de saúde escolar também apontam aumento consistente dos casos de excesso de peso.
Afinal, qual é a diferença entre sobrepeso e obesidade?
Tanto o sobrepeso quanto a obesidade se referem ao acúmulo excessivo de gordura corporal, mas a diferença está na intensidade desse acúmulo e no impacto que ele pode causar no organismo.
Essa avaliação costuma ser feita inicialmente por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), que relaciona peso e altura e funciona como um indicador de triagem em saúde. O cálculo do IMC é simples e pode ser feito com a seguinte fórmula: IMC = peso (kg) ÷ altura² (m)
De forma geral, considera-se:
- IMC entre 25 e 29,9: sobrepeso
- IMC igual ou maior que 30: obesidade

(Imagem via Hospital Albert Einstein)
Quando a obesidade é diagnosticada, ela ainda pode ser classificada em graus diferentes, conforme a gravidade. A obesidade grau I corresponde ao IMC entre 30 e 34,9; a grau II entre 35 e 39,9; e a grau III, também chamada de obesidade mórbida, ocorre quando o IMC ultrapassa 40. Essa classificação ajuda profissionais de saúde a definirem estratégias de cuidado mais adequadas.
Vale lembrar que o IMC é um parâmetro importante, mas não deve ser analisado isoladamente. Outros fatores, como a circunferência abdominal, a porcentagem de gordura corporal e o histórico clínico do paciente, também precisam ser considerados.
O excesso de peso e seus impactos no organismo
O corpo humano precisa de uma quantidade adequada de gordura para funcionar bem.
No entanto, quando esse percentual ultrapassa níveis considerados saudáveis, começam a surgir alterações metabólicas e hormonais que podem afetar o organismo de diferentes formas. Entre as doenças mais associadas ao excesso de peso estão:
- Diabetes tipo 2;
- Hipertensão arterial;
- Doenças cardiovasculares;
- Alguns tipos de câncer.
Essas condições fazem parte do grupo das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que representam um dos principais desafios de saúde pública atualmente. Além dessas complicações, o excesso de peso pode impactar diferentes áreas da saúde, como:
- Sistema respiratório, causando falta de ar e apneia do sono;
- Articulações, gerando dores na coluna, quadril e joelhos;
- Saúde mental, com maior risco de ansiedade e depressão;
- Energia e disposição no dia a dia.

Gordura visceral e riscos à saúde
Pesquisas na área de nutrição e metabolismo indicam que a gordura abdominal, também chamada de gordura visceral, merece atenção especial. Diferente da gordura localizada logo abaixo da pele, ela se acumula ao redor de órgãos importantes, como fígado e intestino.
Esse tipo de gordura está associado a processos inflamatórios crônicos e ao aumento do risco cardiovascular, porque o tecido adiposo libera substâncias inflamatórias que podem interferir no funcionamento do organismo.
Com o tempo, essas alterações podem dificultar o controle da glicose no sangue, favorecer o acúmulo de placas de gordura nas artérias e aumentar o risco de doenças cardíacas. Por isso, mesmo o sobrepeso já merece atenção e acompanhamento profissional, especialmente quando há acúmulo de gordura na região abdominal.
De forma prática, a gordura visceral pode ser estimada por medidas simples, como a circunferência abdominal, feita com uma fita métrica na região da cintura. Em avaliações clínicas mais detalhadas, exames de bioimpedância, tomografia ou ressonância magnética também podem ser utilizados para analisar a composição corporal com maior precisão.
Por que o sobrepeso e a obesidade acontecem?
Durante muito tempo, o excesso de peso foi associado apenas à alimentação ou à falta de atividade física. Hoje, a ciência já entende que a obesidade é uma condição multifatorial e complexa, que pode envolver também:
- Fatores genéticos podem influenciar o metabolismo, o apetite e a forma como o corpo armazena gordura;
- Alterações hormonais e metabólicas também podem favorecer o ganho de peso ao longo da vida;
- O ambiente em que a pessoa vive também exerce grande influência sobre seus hábitos;
- O acesso limitado a alimentos frescos, a ampla oferta de produtos ultraprocessados, a rotina sedentária e o aumento do tempo de tela são elementos que contribuem para o desequilíbrio entre consumo e gasto de energia.
Em resumo, especialistas em saúde pública reforçam que a obesidade não deve ser reduzida a uma explicação simplista, já que fatores sociais, econômicos e emocionais também fazem parte desse contexto.
O excesso de peso, portanto, é resultado da interação entre biologia, comportamento e ambiente.
Diagnóstico e tratamento da obesidade e sobrepeso
O diagnóstico da obesidade e do sobrepeso envolve uma avaliação clínica completa. O IMC costuma ser o primeiro passo, mas não é o único indicador utilizado. Profissionais de saúde também devem analisar a circunferência abdominal, o histórico médico e a presença de doenças associadas.
Por ser considerada uma doença crônica, a obesidade geralmente exige acompanhamento contínuo. Dessa forma, o tratamento inclui mudanças no estilo de vida, especialmente em relação à alimentação e à prática de atividade física.
Em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos como parte do tratamento, sempre com orientação médica.
Quando o tratamento clínico não apresenta resultados suficientes e há complicações associadas, a cirurgia bariátrica pode ser indicada.
Mais do que focar apenas na perda de peso, o tratamento busca melhorar a saúde geral, a mobilidade, o bem-estar emocional e a qualidade de vida.

Prevenção e hábitos saudáveis
A prevenção do sobrepeso e da obesidade está relacionada à construção de hábitos sustentáveis ao longo do tempo.
Nesse sentido, o Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos e proteínas magras.
Manter o corpo em movimento também é essencial para o equilíbrio do organismo. A prática regular de atividade física contribui para o gasto energético e o fortalecimento muscular, bem como para o bom funcionamento do metabolismo.
Pequenas mudanças na rotina, como caminhar mais, reduzir o tempo sedentário, cuidar do sono e manter uma alimentação equilibrada, podem trazer benefícios significativos para a saúde ao longo da vida.
Um cuidado que envolve informação e acolhimento
Hoje, a obesidade é reconhecida como uma doença crônica e complexa, influenciada por múltiplos fatores. Por isso, especialistas reforçam a importância de um cuidado humanizado, sem julgamentos ou estigmas.
A conscientização promovida pelo Dia Mundial da Obesidade ajuda a lembrar que a saúde vai além do peso na balança, envolvendo acesso à informação, apoio profissional, políticas públicas e condições sociais que favoreçam escolhas mais saudáveis.
Cuidar do peso vai muito além da estética: é uma forma de proteger a saúde e investir em qualidade de vida no presente e no futuro. Pequenas mudanças de hábitos, quando feitas de forma consistente, podem trazer grandes resultados ao longo do tempo.
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* Confira também aqui no blog o post Conheça as causas da obesidade infantil, riscos e como evitar.
** Com informações do Hospital Albert Einstein e Ministério da Saúde.