Os sintomas da anemia nem sempre chamam atenção no início. Sentir cansaço de vez em quando é normal, principalmente após dias mais intensos ou noites mal dormidas. No entanto, quando a fadiga se torna frequente e vem acompanhada de fraqueza, palidez, tonturas ou falta de ar, pode ser um sinal de que algo não vai bem.
Segundo informações divulgadas pela Fiocruz, entre 20% a 30% da população mundial possui anemia. No Brasil, a anemia é identificada em até 48% das crianças menores de 5 anos.
Apesar de ser bastante comum, essa condição não é uma doença em si, mas um sinal de que o organismo pode estar produzindo menos glóbulos vermelhos, perdendo sangue ou enfrentando algum problema que interfere no transporte de oxigênio pelo corpo.
A seguir, vamos analisar por que a anemia acontece, quais sinais não devem ser ignorados, como o diagnóstico é realizado e quais medidas podem ajudar no tratamento e na prevenção da condição.
O que é anemia?
A anemia é uma condição em que o sangue passa a transportar menos oxigênio para o organismo. Isso acontece porque há uma redução da hemoglobina, proteína presente nos glóbulos vermelhos (hemácias) e que é responsável por levar o oxigênio dos pulmões para os órgãos e tecidos.
Com menos oxigênio disponível, o corpo precisa fazer mais esforço para funcionar normalmente. Por isso, sintomas como cansaço, fraqueza, falta de ar e tonturas são tão comuns entre pessoas com anemia.
É importante lembrar que a anemia não é uma doença em si, mas um sinal de que algo pode estar alterando a produção ou causando a perda de glóbulos vermelhos.
Quais são as principais causas da anemia?
A anemia pode ter diferentes causas, que vão desde deficiências nutricionais até doenças crônicas e hereditárias.
A deficiência de ferro é a mais comum, mas a condição também pode estar relacionada à falta de vitamina B12 ou ácido fólico, sangramentos e alterações que comprometem a produção ou a sobrevivência dos glóbulos vermelhos.
Em resumo, as causas mais frequentes da anemia incluem:
- deficiência de ferro (anemia ferropriva);
- deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico;
- sangramentos agudos ou crônicos;
- doenças inflamatórias e insuficiência renal;
- doenças da medula óssea e alguns tipos de câncer;
- doenças hereditárias, como a anemia falciforme.
Como o tratamento depende da origem da anemia, descobrir sua causa é essencial antes de iniciar qualquer suplementação ou outro tipo de terapia.
Sintomas da anemia: como identificar?
Os sintomas variam conforme a intensidade da anemia e a velocidade com que a condição se instala. Em casos leves, algumas pessoas permanecem meses sem perceber qualquer alteração. Já quando a queda da hemoglobina acontece rapidamente, os sinais costumam surgir de forma mais evidente.
O sintoma mais conhecido é o cansaço persistente, mas esse não é o único sinal. Como o organismo recebe menos oxigênio, diferentes funções do corpo passam a trabalhar de forma menos eficiente, causando:
- fraqueza muscular;
- pele e mucosas mais pálidas;
- falta de ar durante pequenos esforços;
- tonturas, dores de cabeça e palpitações;
- dificuldade de concentração e sensação de desmaio.
Nos casos mais graves, também podem aparecer aumento da frequência cardíaca, suor excessivo, dor no peito e dificuldade para realizar atividades rotineiras.
Alguns sintomas também ajudam o médico a levantar hipóteses sobre a causa da anemia. A presença de sangue nas fezes ou na urina pode indicar um sangramento interno, enquanto formigamentos nas mãos e nos pés costumam estar relacionados à deficiência de vitamina B12.

A anemia é diferente nos idosos?
Embora possa surgir em qualquer fase da vida, a anemia merece atenção especial entre os idosos. Isso porque algumas doenças mais comuns nessa faixa etária, como insuficiência renal, processos inflamatórios crônicos e determinados tipos de câncer, aumentam o risco de redução da produção de glóbulos vermelhos.
Além dos sintomas clássicos, os idosos podem apresentar manifestações menos evidentes. Em vez de relatar apenas cansaço, muitos passam a apresentar confusão mental, perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar, irritabilidade e redução da autonomia nas atividades diárias.
Outro aspecto importante envolve a deficiência de vitamina B12. Em algumas situações, esse quadro pode provocar alterações cognitivas que lembram quadros de demência, dificultando o diagnóstico quando não há uma investigação adequada.
Por esse motivo, especialistas reforçam que a anemia não faz parte do envelhecimento normal. Sempre que essa situação é identificada, é fundamental investigar sua origem para evitar complicações e preservar a qualidade de vida.
Como é feito o diagnóstico da anemia?
Como os sintomas da anemia podem ser confundidos com diversas outras condições, o diagnóstico depende da avaliação médica e de exames laboratoriais.
O primeiro passo costuma ser a realização do hemograma completo, exame capaz de medir os níveis de hemoglobina e avaliar a quantidade de glóbulos vermelhos presentes no sangue.
Quando o resultado confirma a anemia, o médico normalmente solicita exames complementares para descobrir sua causa. Entre eles estão a dosagem de ferro, ferritina, vitamina B12 e ácido fólico. Dependendo da situação, também podem ser necessários exames para investigar sangramentos gastrointestinais ou alterações da medula óssea.

Como é o tratamento da anemia?
O tratamento da anemia depende da causa identificada durante a investigação médica.
Quando a deficiência é de ferro, normalmente são indicados suplementação e ajustes na alimentação. Já nos casos relacionados à falta de vitamina B12 ou ácido fólico, a reposição desses nutrientes costuma resolver o problema, desde que a causa da deficiência também seja tratada.
Se a anemia estiver associada a doenças crônicas, sangramentos ou alterações da medula óssea, o tratamento deve priorizar o controle da condição de base e, em alguns casos, contar com acompanhamento de um hematologista.
Vale lembrar que uma alimentação rica em ferro, vitamina B12 e ácido fólico ajuda na recuperação, mas nem sempre é suficiente, tornando a suplementação médica indispensável quando indicada.
É possível prevenir a anemia?
Nem todos os tipos de anemia podem ser prevenidos, como as formas hereditárias e aquelas relacionadas a doenças crônicas. Porém, muitos casos podem ser evitados com alguns cuidados, principalmente por meio de uma alimentação equilibrada, rica em ferro, vitamina B12 e ácido fólico.
Também é importante tratar condições que causem sangramentos, controlar doenças crônicas e realizar exames quando houver indicação médica. Pessoas com maior risco devem manter acompanhamento regular, evitando ainda a automedicação com suplementos, que pode mascarar a causa do problema.
Quando procurar um médico?
Nem todo episódio de cansaço significa que a pessoa está com anemia. No entanto, alguns sinais indicam que é importante procurar avaliação médica, principalmente quando persistem por vários dias ou começam a interferir nas atividades do dia a dia.
Procure atendimento se apresentar:
- cansaço intenso sem causa aparente;
- falta de ar durante pequenos esforços;
- tonturas frequentes ou sensação de desmaio;
- pele muito pálida e palpitações;
- sangramentos persistentes ou muito intensos;
- dor no peito ou dificuldade para respirar.
Perguntas frequentes sobre anemia
Quais são os primeiros sintomas da anemia?
Os sinais iniciais costumam incluir cansaço excessivo, fraqueza, palidez, tontura e dificuldade para realizar esforços físicos. Em algumas pessoas, os sintomas aparecem lentamente e podem passar despercebidos por bastante tempo.
Toda anemia é causada por falta de ferro?
Não. Embora a deficiência de ferro seja a causa mais comum, a anemia também pode estar relacionada à deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, doenças crônicas, sangramentos, alterações da medula óssea, doenças hereditárias e outros problemas de saúde.
Anemia tem cura?
Na maioria dos casos, sim. Quando a causa é identificada e tratada corretamente, os níveis de hemoglobina costumam voltar ao normal. O tempo de recuperação varia conforme o tipo de anemia e a resposta de cada paciente ao tratamento.
Quem tem anemia precisa tomar suplemento de ferro?
Não necessariamente. O suplemento de ferro só deve ser utilizado quando a deficiência desse mineral for confirmada. Outros tipos de anemia exigem tratamentos completamente diferentes.
A alimentação ajuda no tratamento?
Sim. Uma alimentação saudável contribui tanto para a prevenção quanto para o tratamento das anemias relacionadas à deficiência de nutrientes. No entanto, não substitui a avaliação médica nem os tratamentos indicados para cada caso.
Descobrir a causa da anemia faz toda a diferença
Embora o cansaço seja o sintoma mais conhecido, a anemia vai muito além da falta de disposição. Ou seja, pode ser consequência de diferentes alterações no organismo, desde deficiências nutricionais até doenças que exigem tratamento específico. Por isso, identificar a causa é tão importante quanto corrigir a queda da hemoglobina.
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzir o risco de complicações e melhorar a qualidade de vida. Sempre que sintomas como fadiga persistente, falta de ar, tonturas ou palidez aparecerem, procure orientação médica para uma avaliação completa!
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* Confira também aqui no blog o post Vitamina B12: para que serve, quais os sintomas da deficiência e como manter os níveis adequados.
** Com informações do Hospital Sírio Libanês e MSD Manual.
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